quarta-feira, 31 de outubro de 2012

RESUMO: Definindo conhecimento científico


Ao tentarmos definir um fenômeno científico, acabamos, baseados em nossas hipóteses de trabalho (e até mesmo baseado em nossas experiências de vida), colocando limites para que essa definição fique mais clara. A grande questão é que ao impormos esses limites certamente iremos “desfigurar” ou deixar o fenômeno pesquisado sem riqueza. Dependendo da metodologia científica adotada – positivista, dialética, alternativa, moderna, pós-moderna – os resultados dessa definição podem sair muito diferentes.
            A abordagem utilizada para definir conhecimento científico foi a dialética, pois se alinha bem melhor com a maneira complexa dos fenômenos e sua dinâmica não linear. Aqui é traçada uma aproximação dialética, pois esta tem como hipótese que todo fenômeno - que é dinâmico, complexo e não linear - não fica preso em definição. 
            Pretende-se, assim, dizer o quão importante se torna definir bem. Usando termos simples, que irão representar a clareza, e usando termos um pouco mais complexos para não deixar o fenômeno empobrecido. Para essa definição ser bem definida é imprescindível a utilização de um dos métodos mais característicos do procedimento científico: a análise. Neste contexto, a análise nada mais é do que a decomposição do todo em partes. Com a análise do conhecimento científico tivemos o processo de conhecimento controlado que produziu as tecnologias sofisticadas; a análise empurrou o conhecimento científico para a questão do método, combinando a lógica dedutiva com indutiva (sistematicidade do pensamento mais controle empírico).  Com isso, vemos que a análise necessita, assim como a definição, de limites. Pois para analisar é preciso que se defina as ideias com clareza, delimite bem os conceitos e deixe as teorias o mais transparente possível.
            Para começarmos a tentar definir conhecimento científico é necessário saber a diferença de termos como: ciência, conhecimento científico, tecnologia e pesquisa em relações às diferentes áreas do conhecimento. Outro fator importante para a tentativa de definição do conhecimento é a preferência pela sua reconstrução, que neste caso significaria a fabricação do conhecimento e da aprendizagem, ou seja, a pesquisa em si. Para a construção de uma definição de conhecimento, necessário se faz também considerar que termos como teoria e prática, apesar de terem sentido próprio, apresentam-se, nesse contexto, no mesmo “terreno”. Temos quatro tipos de pesquisa: pesquisa teórica, pesquisa metodológica, pesquisa empírica e a pesquisa prática. Nenhuma é autossuficiente. Quando da demarcação científica, notamos que o conhecimento científico não é: senso comum, sabedoria ou bom-senso, ideologia, e nem paradigma específico. Na verdade, do ponto de vista dialético, conhecimento científico é um método bem estruturado de questionamento. Esse procedimento metodológico congrega dois critérios de demarcação científica: critério formal e critério político.
            Os elementos que devem conter em um trabalho para que ele seja reconhecido como científico é: ser lógico, sistemático, coerente e com uma boa dose de argumentação. Dessa forma, podemos sistematizar alguns critérios formais de demarcação científica como coerência, sistematicidade, consistência, originalidade, objetivação e discutibilidade, onde o propósito é a formalização. É a partir daí que iremos achar uma das principais virtudes da ciência: neutralidade e objetividade.
            Não há como dissociar conhecimento científico do fenômeno político, este faz parte da nossa história. Assim sendo, o trabalho científico que defendemos, além dos elementos já arrolados, precisa ser aceito. Essa “aceitação” traduz que não só de boa argumentação está a tese, mas também necessita de uma boa dose de reconhecimento social. A interferência que o fenômeno político causa em nossas vidas e no restante da sociedade não pode ser visto como trabalho de sala de aula ou laboratório. Respondendo a pergunta – “a quem serve a ciência?”: esse fenômeno deve ser usado na busca para construir uma sociedade mais sustentável, no seu sentido econômico, social e ambiental, e, de alguma forma, diminuir a desigualdade social com a redução da pobreza.
Assim para demarcar a cientificidade, é preciso levar em conta a intersubjetividade (o que é ou não válido), autoridade por mérito (posição respeitada em determinado espaço científico), relevância social (por fim aos trabalhos irrelevantes) e, por fim, a ética (a quem serve a ciência?).

Referências
DEMO, Pedro. Metodologia do conhecimento científico. 2. ed. , São Paulo: Atlas, 2000.

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